sábado, 31 de março de 2012

POEMA A UM HOMEM MORTO NA PRISÃO...

Homem morto na prisão - nesta terra escura e fria - com teu corpo gelado - com essas mãos duras e olhos de fome - com o coração a morrer pela liberdade. Vais esperando que amanhã uma estrela te venha buscar e te leve pelo horizonte onde não há pobres nem ricos - e todos os corações estarão por um momento à espera de que volte contigo esse sonho. ESCREVEU fernando brás /Do Livro "A Criança e a Vida" de M. R. Colaço)

terça-feira, 27 de março de 2012

SÃO MÃOS QUE TRABALHAM...

São mãos que trabalham. São de homens que puxam barcos, guiam máquinas, arrancam pedras,martelam nas ruas. Estas mãos têm dores. As mãos com feridas têm saudades da água fresca, das flores, da língua do cão, das penas dum passarinho. Os homens destas mãos são tristes. Têm fome, têm sede, gostavam de acordar um dia e descansar de manhã à noite. Gosto muito das mãos das pessoas que trabalham. Estas mãos fazem lembrar um coração com susto. ESCREVEU miguel macedo (Do Livro " A Criança e a Vida " de M. R. Colaço)

sexta-feira, 23 de março de 2012

Na água um pássaro morto

De bico aberto- todo molhadinho-de penas luzidias-cabecinha arrepelada- pobre passarinho que morreste afogado.....Já não pias - Já não cantas - Já não vês os teus olhos nos espelhos das águas. ESCREVEU antónio joaquim (Do Livro " A Criança e a Vida" de M. R. Colaço)

quinta-feira, 22 de março de 2012

É BOM REGRESSAR NUMA MANHÃ CLARA

Manhã clara - límpida e fresca - andorinhas fazem o ar mais fresco - barcos vão-e-vêm como o senhor mar - que vento suave - neste momento a tristeza acabou-se para dar lugar à alegria que vem baloiçando - baloiçando- baloiçando ao sabor das ondinhas claras e frescas como esta manhhã. ESCREVEU antónio joaquim (Do Livro "A Criança e a Vida " de M. R. Colaço)

quarta-feira, 21 de março de 2012

OS MEUS PASSOS...

Era uma vez um rapaz que morava num bairro de lata e qe ia a caminho da escola.E ouvia os sapatos baterem no alcatrão e dizia para si: ai passos tão tristes, passos pequeninos e a escola é tão longe! Quem me dera que fosse gigante! E depois passou perto dum velhinho com a cabeça abaixada e perto duma mulher tão triste a vender castanhas assadas. E a mulher perguntou-lhe:  porque vais tão triste, pequeno? - Porque os meus passos são muito pequeninos e a escola fica muito longe e a minha Mãe é muito pobre. E ela disse-me: eu também sou tão pobre mas toma estas castanhas quentinhas e estes dez tostões e vai no autocarro. Eu agradeci muito e quando entrei no autocarro fui logo para a janela ver as estradas. Parecia que as searas cheias de papoilas encarnadas se gastavam muito depressa, e os bois a pastarem a erva muito verde, e as mulheres a irem para a fábrica e os pássaros  nocéu. E eu gritei: só agora reparo que é Primavera! Ai como é bom andar de camioneta: não se gastam as solas e a gente não vai cansado e pode ver a vida.
E quando chegou à escola contou isto aos companheiros e toda a manhã pensou na velha das castanhas. Como é bela a vida! Como é bela a vida às vezes, não é?
ESCREVEU manuel miranda- 8 anos ( Do Livro " a Criança e a Vida" de M. R. Colaço)

terça-feira, 20 de março de 2012

DOIS MENINOS NO NEVOEIRO...

Era uma vez dois meninos, descalços e cobertos de farrapos. Aquilo era uma verdadeira tristeza. E eu, ao pé deles, assim bem vestido. E disse-lhes: como é que vocês se chamam? - A gente chama-se dois meninos no nevoeiro. E eu, muito triste disse: querem vir à minha casa que darei a vocês duas chávenas de chá e roupas? _ Está bem................... E quando chegamos a casa, beberam os chás e dei-lhes roupa e eles disseram muito obrigado. Mas continuaram tão tristes que depois, naquela noite, não me deixava dormir por causa deles. E eu sonhava, sonhava com os Dois Meninos - No Nevoeiro. ESCREVEU josé miranda- 9 anos ( Do Livro " A Criança e a Vida " de Maria R. Colaço)

domingo, 18 de março de 2012

TERESA MORTA NA TERRA...

Uma menina chamava-se Teresa.Tinham-lhe espetado o coração. Estava morta. A mãe o pai e o avô e a avó e a tia choravam. A menina tinha saudades da praia. Debaixo da terra estava quente e o sangue foi para a terra. Depois, na cabeça, nasceu uma flor preta. Estava com pena.E as pessoas passavam e não sabiam que estava ali aquela menina. Só os pássaros sabiam. E o sol sabia, porque está no céu e vê tudo. ESCREVEU : maria da conceição -6 anos ( Do Livro " A criança e a Vida " de Maria Rosa Colaço)

sexta-feira, 16 de março de 2012

A ERVA

A erva que nasce e renasce - húmida e fria -logo aquece ao calor do sol. Depois seca e morre - quente e seca.A erva que nasceu altiva - e respeitada - todos a pisam. O sol agora é frio e sombrio - perante a erva seca. A erva que nasce e renasce - húmida e fria - logo aquece ao calor do sol. Depois seca e morre - quente e seca... ESCREVEU antónio joaquim -8 anos (Do Livro "A Criança e a Vida" de Maria Rosa Colço)

quarta-feira, 14 de março de 2012

POEMA À PROFESSORA

Conheço-te há três anos - Chamo-te Maria ou Pássaro Azul - e dou -te este poema solitário numa noite de origens e de rosas.O teu cabelo é uma paisagem verde - os teus olhos são a luz do mundo - o teu rosto é a minha saudade.................................. A escuridão é abundante dos que sofrem - e como tu - ninguém tem o coração mais dentro do peito - a sofrer... a sofrer por nós - que somos teus irmãos. ESCREVEU victor figueiredo - 9 anos ( Do Livro " A Criança e a Vida " de M. R. Colaço)

terça-feira, 13 de março de 2012

ERA UMA VEZ UM HAMSTER...

POEMA A UM HOOMEM MORTO NA PRISÃO

Homem morto na prisão-nesta terra ecura e fria- com teu corpo gelado- com essas mãos duras e olhos de fome- com o coração a morrer pela liberdade. Vais esperando que amanhã -uma estrela te venha buscar- e te leve pelo horizonte- onde não há pobres nem ricos........... e todos os corações estarão por um momento à espera de que volte contigo esse sonho. ESCREVEU fernanado brás ( Do Livro " A Criança e a Vida " de M. R. Colaço)

domingo, 11 de março de 2012

NÓS SOMOS TRISTES...

Na noite de Carnaval eu muito triste, via todas as pessoas magoadas. E a cor do céu também estava aborrecida. E os homens das laranjas sem apregoar. E eu não sabia o que tinha sido. Mas quando a minha mãe voltou, disse-me: os polícias voltaram a bater nos vendedores. E eu disse à miha mãe: Que chatice! E a minha mãe deu-me um beijo. ESCREVEU jorge- 8 anos ( Do Livro" A criança e a vida" de M. R. Colaço)

sexta-feira, 9 de março de 2012

PÁGINA DO MEU DIÁRIO

Hoje, dia 11 de Março, vou escrever o meu diário. Ontem, quando vinha a caminho da escola, ouvi gritos e disse cá para mim :não deve ser nada de especial. Mas não. Enganei-me. Quando acabei a palavra, um monte de mulheres e homens acorriam aos gritos. Fui ver. Era um pobre rapaz que levava uma tareia e dúzias de pontapés, até na boca, por um homem que não era da família. Por que será que lhe bateu? Teria feito algum crime? Ora, pobre rapaz: porque tinha muita fome e tirou um papo seco. Bem se vê que nunca passaram fome. ESCREVEU : fernando filipe brás lopes ( Do Livro " a Criança e a Vida" de M. Rosa Colaço)

quinta-feira, 8 de março de 2012

HISTÓRIA DUM GAFANHOTO E DUMA BORBOLETA AZUL

Uma vez estava um gafanhoto sentado numa pedra cor-de-rosa, quando passou uma borboleta azul. Dum azul tão lindo que até faz doer os olhos. A borboleta que voava baixo viu o gafanhoto sentado e triste. E disse-lhe depois de hesitar um momento, um momento pequenino: - Porque estás triste? Então respondeu o gafanhoto: - Não hei-de estar triste aqui sozinho, nesta planície imensa onde não se vê mais nada do que o céu e esta terra cor de sangue? - Então vem comigo. Verás que não te arrependes. Anda, vem! E verás mais do que este céu azul e esta terra cor de sangue. Verás coisas que nunca viste: pássaros amarelos,azuis, encarnados e mais, muito mais. Verás árvores cor - de - rosa. Lá é sempre Primavera.E quando iam quase a chegar ao seu destino, lá no alto, a morte veio e levou-os nos seus braços grandes. E era tão bom que o gafanhoto disse: - Afinal não me enganaste. Aqui é um mundo novo. E nunca mais ficou triste. - Escreveu raul joão -10 anos ( do Livro "a Criança e a Vida" de M. Rosa Colaço)

terça-feira, 6 de março de 2012

UMA LUZ

No deserto - uma luz imensa na escuridão - um vasto cantar de melodia. - Não sei. - Não sei o que era. - Talvez ecos no espaço - Talvez um sonho do passado. - Não sei. escreveu- gertrudes p. dos santos -9 anos ( No Livro " A Criança e a Vida " de Maria Rosa Colaço)

domingo, 4 de março de 2012

HISTÓRIA DE MARIA...

Esta mulher é Maria. Está a gritar porque tem fome. Não come há três dias, porque não tem coisa de comer.Era pobre. Era muito pobre como aquela gente toda que não tem comida. E ela não faz nada. Ela não podia fazer nada.Só chorar.Depois caíu em baixo e morreu. E tinha fome ainda. Quando chegou outra gente, chorou no coração. Chorou muito e falou assim: minha irmã morreu. Morreu nossa irmâ Maria. Mãe de Maria, lá na terra dela, chorou também. E outras crianças pensavam: não é bom, não, ter sempre tanta fome. E Maria, morta, pensava: em cima da terra toda, tem tanta comida, porque foi que eu morri com tanta fome? ESCREVEU : francisca de oito anos ( Livro " Criança e a vida" de M. R. Colaço)